terça-feira, 20 de dezembro de 2016

IRMÃO LOURENÇO OCD - UM MESTRE ZEN

"Façamos caminho  para  a graça;  resgatemos o  tempo  perdido, porque temos pouco tempo, a morte nos segue de perto; estejamos bem preparados para isso; porque  morremos  apenas  uma  vez,  e um  fracasso pode ser  irremediável.  Repito: entremos em nós mesmos."

CARTA IV (NA PRESENÇA DE DEUS)





INTRODUÇÃO 

[...]
Mais de onze séculos antes do Irmão Lourenço, outro monge chamado Bodhidharma tinha desenvolvido um caminho de vida que não era tão diferente do praticado pelo monge carmelita. Bodhidharma, no entanto, era um monge budista indiano. Ele viajou pra China e pelo sudeste da Ásia, levando consigo ensinamentos que desenvolveu uma nova compreensão do Budismo. Seus ensinamentos eram, de acordo com escritos sagrados seguintes, uma transmissão original fora das escrituras, não estabelecida em sutras, apontando diretamente para a mente.  Ele ensinou que uma pessoa poderia despertar pra verdade e à iluminação focando a atenção em sua essência interior. Hoje, ele é tido com o primeiro ancestral do Zen Budismo. No coração do Irmão Lourenço a prática era simplesmente Zen, - para ser capaz de testemunhar o despertar da iluminação, o foco teria de ser no momento presente. Este caminho chamou não somente a atenção dos líderes da igreja durante o seu tempo; ao longo dos séculos tem continuado a chamar a atenção daqueles que veem na vitalidade de Irmão Lourenço um modo de se relacionar com Deus, que a cristandade muitas vezes negligenciou. Outros místicos incluindo Mestre Eckhart e Santa Teresa de Ávila poderiam explicar isso mais detalhadamente em seus escritos: o Irmão Lourenço simplesmente o vivenciou. Nem todos os cristãos acolheram essa perspectiva. Ao longo dos anos, muitos condenaram o Irmão Lourenço por “perigosa ausência de doutrina”; para o fortalecimento do próprio encontro, ao invés de simplesmente obedecer e compreender intelectualmente à Bíblia. (Curiosamente, muitos budistas tradicionais olham para o Zen com o mesmo medo e suspeita). Cristãos e budistas podem ter dificuldade em se comunicar porque usam vocabulários diferentes, léxicos distintos para falar sobre o significado da realidade. Suas palavras parecem mutuamente reservadas. Como se pode dizer que uma pessoa como o Irmão Lourenço apaixonada por Jesus Cristo, teria algo a ver com a dura suavidade do Zen? Como cristãos, no entanto, podemos simplesmente ser confundidos pela terminologia não familiar do Zen. O Zen nos sugere para abandonarmos nosso foco no ego, para nos esvaziar de nossos apegos egoístas, desconstruir nossas formações mentais e simplesmente estar presentes à iluminação. Não tão diferente de Cristo, o Zen nos aproxima da morte do nosso "eu" para que possamos nascer de novo! Segundo o Irmão David Steindl-Rast, "os cristãos não precisam de nada quando chamam Deus de amor". Os budistas precisam refletir quando falam do "vazio", isso pelo menos nos chama a atenção para o fato de que as palavras são indescritíveis.  De acordo com um ensinamento Zen, se você encontrar Buda no caminho, você deve matá-lo. Esta declaração aparentemente absurda e sem sentido nos lembra ter cuidado ao tentar caprichosamente confinar a nossa fé. Quando fazemos isso, criamos falsos deuses. Sabemos bem que nos apegamos à imagens, precisamos das aparências que nos é revelada, e sentimos a falta de realidade. Irmão Lourenço nos apresenta uma nova face do Cristianismo. Mantendo suas palavras à luz dos mestres budistas, essa face pode se tornar ainda mais misteriosa. Pode nos pedir para matar o Cristianismo que pensávamos que sabíamos - para que possamos alcançar a presença de Deus. Anne Morrow Lindbergh escreveu sobre o “viver como uma criança ou santo na urgência do aqui-agora". O presente momento é transitório, é também onde entramos em contato com Deus, que nos apresenta o inaudito tempo-presente como: EU SOU. Esta é a presença que o “Irmão Lourenço da Ressurreição” experimentou há quase quatro séculos atrás. E a prática do Zen nos permite conhecer essa presença, penetrar nela, oferecer nossa atenção plena no agora. Atenção absoluta, escreveu Simone Weil, é “oração".

Mark Giroux

Irmão Lourenço, foi um místico carmelita francês do século XVII.  Desenvolveu uma simplicidade distinta para sua época. Desempenhou em seu convento as funções mais humildes, como a de cozinheiro e sapateiro. O único método espiritual da sua vida foi o exercício da “Presença de Deus”, que dá título a sua única obra, um apanhado de cartas e conversas.




http://fradescarmelitas.org.br/a-pratica-da-presenca-de-deus-irmao-lourenco/

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