terça-feira, 20 de junho de 2017

PE. JACQUES BRETON OCD - O ZEN E OS SÍMBOLOS


A prática Zen Budista teve como primeiro efeito me fazer redescobrir o lugar dos grandes símbolos da vida espiritual. Mas o Zen Budismo não se concentra em simbolismos por razões que veremos mais adiante. Entretanto, paradoxalmente, me aprofundando nesta prática fui capaz de reviver todos os símbolos que ensina a Bíblia. Mas o que é um símbolo? Padre Ganne diz: "Ao contrário da crença popular de que o simbolismo se tornou sinônimo de algo irreal, refere-se ao antagonismo usado para reconhecer a si mesmo, para o reconhecimento mútuo de se tornar presente." Etimologicamente o termo grego “sol-bolon” significa que duas metades de um objeto separado servirão como sinais de reconhecimento de suas respectivas unidades. Nas tradições religiosas, o simbolismo tem como objetivo juntar duas extensões: material e espiritual, sagrado e profano, o homem e Deus. Separados por diferentes causas, são destinados a reencontrar a sua unidade primordial na totalidade do que são. Em vez disso, o “dia-bolon”, o "diabo", tentará separar os dois planos e se oporá a reunificação da matéria e o espirito. Tomemos o exemplo da luz do farol: para o marinheiro que vê a luz, essa luz é um sinal convencional indicando o ponto da sua rota. Para Moisés no Monte Horeb, aquela luz que queimava sem se apagar tornou-se um símbolo. Na imagem de um fogo encantador, ele apresentou este Deus três vezes santo (Isaías 6: 3), que não podemos tocar sem morrer. Isso mesmo, o fogo, que também é a luz, pode se manifestar como a Luz Divina. Assim o povo de Israel foi guiado pelo fogo em sua marcha para o deserto (Números 9:15). Mas o fogo também tem a propriedade de purificar, e o anjo toma uma brasa no altar para purificar o profeta Isaías e libertá-lo do pecado para que se torne o mensageiro do Senhor (Is 6: 7-8 ). Na Nova Aliança, este símbolo irá se intensificar, para  assim internalizarmos. Não vai ser apenas um sinal de reconhecimento, ele vai desempenhar o seu papel vital de conectar o homem com Deus. Ser cristão é ser batizado no fogo, ou seja, imerso nele (Mateus 3, 11). O fogo torna-se a presença do Espírito Santo no coração do homem. No Pentecostes, os discípulos receberam o Espírito Santo como “línguas de fogo”. Este fogo vai simbolizar o Espírito Santo que unifica o espírito humano para iluminar a sua inteligência e abri-la a outras culturas. Pode se transformar na chama interior que inflama o coração do homem (Lucas 12: 49). Por outro lado, pode ser que para aqueles que recusam o Espírito Santo, o signo do fogo seja o da destruição e da morte  (Mateus 25: 4). Então, é o cristão o chamado a viver este símbolo de fogo interno na presença do Espírito Santo. A Bíblia está cheia de símbolos. Todos - água, vento, alimento, terra, céu, a cruz – o fogo permite o encontro com Deus no aspecto do que ele significa. Embora conceitos ainda sejam abstrações, o símbolo pelo contrário é uma realidade que nos ajuda a estabelecer concretamente uma relação com a totalidade.


Pe. Jacques Breton OCD, foi um padre carmelita francês da abadia de Saint-Benoit-sur-Loire. Na década de 1970, descobriu o Zen Budismo e seguiu um ano tomando ensinamentos com Karlfried Graf Dürckheim na Alemanha. Passou também vários meses em um mosteiro Zen em Tóquio como parte do intercâmbio espiritual organizado pelo Vaticano. Em 1987, ele fundou a "Casa de Assis" em Saint-Gervais. Anualmente o mestre Roshi Hozumi Gensho  é convidado por ele para orientar retiros na França. Foi um dos principais a promover o diálogo interconfessional na França. É o autor do livro "Iluminação: experiência Cristã e Zen Budista". 

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