Na Índia o monasticismo é uma instituição antiquíssima; no cristianismo, uma instituição relativamente tardia. Agente se interroga: Não teriam os padres do deserto, que no século IV introduziram no Egito a vida monástica no cristianismo, sofrido, talvez, influência dos monges indianos - conhecidos na cosmopolita Alexandria? Pois desde a campanha de Alexandre Magno existiram relações comerciais e culturais entre as grandes culturas dos vales do indo e do Nilo. De início os monges budistas também eram eremitas e itinerantes. Havia lugares para onde frequentemente se retiravam na época das chuvas, cavernas frias no verão e quentes no inverno, próximas às encruzilhadas e às rotas comerciais. Com o tempo, surgiram aí santuários esculpidos na rocha. Só mais tarde é que passaram a viver em mosteiros fixos - como hoje em dia ao sopé do Himalaia, na aldeia montanhosa de DharamsaIa, residência de exílio do Dalai Lama e de seus monges tibetanos (mosteiro Namgyal). Como nos mosteiros cristãos, já bem cedo os monges se reúnem para a oração da manhã. Em lugar da genuflexão, lançam-se por terra e tocam o chão com a testa, como sinal de profundo respeito e humildade. Um ritual que existe também no cristianismo, na emissão dos votos religiosos e na ordenação dos sacerdotes. E no budismo também com frequência são invocados "todos os santos" (como na ladainha católica de Todos os Santos), todo o panteão budista: budas, bodisatvas e grandes gurus, para os tibetanos também o Dalai Lama. Em vez de orações, que pressupõem um Deus criador e todo-poderoso, são recitados sutras e mantras, para invocar, afastar ou afugentar os deuses da natureza e os demônios. Estão convencidos da eficácia mágica de palavras e fórmulas sagradas para todo tipo de necessidades. São cantos rítmicos, que visam não a distrair, mas sim a favorecer a meditação. Cantar e rezar em comum faz o ego recuar para segundo plano, ou mesmo ficar no esquecimento. O monasticismo budista e o monasticismo cristão apresentam muitas semelhanças. Semelhanças externas, como o uniforme religioso simples e as melodias dos salmos. Mas semelhanças também na estrutura básica:
• Ambos exigem o afastamento do mundo (sair "de sua casa").
• Ambos vivem segundo uma regra (vinaia), com mandamentos, proibições, listas
de penitências, confissão dos pecados.
• Ambos exigem a renúncia às posses e a observância da abstinência sexual.
MONASTICISMO: CENTRAL SÓ NO BUDISMO
No budismo a vida monástica ocupa o centro, ao passo que no cristianismo ela se encontra mais à margem. Jesus e seus discípulos não eram monges, o Buda e seus discípulos sim. No budismo primitivo, aquele que quisesse seguir o caminho da alvação e retirar-se do mundo ingressava no sangha, na comunidade monástica. Os monges budistas se distinguem dos outros monges hinduístas pelo fato de seguirem Buda como seu modelo, de abraçarem sua doutrina e a regra de sua ordem. Mas nem todo o mundo quer ou é capaz de assumir os cinco mandamentos especiais para os noviços. Desde os tempos de Buda são os seguintes:
Comer só uma vez por dia.
Evitar os prazeres (dança, festas).
Não usar ornamentos ou perfumes (unguentos).
Não ter camas ou cadeiras luxuosas.
Não ter dinheiro pessoal.
E sobretudo, nem todo o mundo está disposto a abraçar as mais de duzentas regras para os monges (conforme a comunidade, elas podem chegar de 227 a quatrocentas).É verdade que essas regras foram em parte adaptadas à vida moderna. De qualquer forma, os mosteiros budistas, assim como também os cristãos, podem possuir bens. Através de doações e presentes, muitos tornaram-se ricos ou mesmo extremamente ricos, o que frequentemente levou a queixas por parte do povo e as lutas pelo poder, ou até a guerras entre os mosteiros rivais.
Hans Küng, é um teólogo suíço, filósofo, professor de teologia. Küng estudou teologia e filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Foi ordenado sacerdote em 1954. Continuou a sua educação em várias cidades europeias, incluindo Sorbonne em Paris.


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