quinta-feira, 4 de maio de 2017

ANN ANKAI WAGNER - ZEN CRISTÃO




“O cristão do próximo milênio ou será místico ou não será"
Karl Rahner
 

O Zen Cristão é liderado pela Rev. Ann Ankai Wagner Roshi, uma mestra Zen,  sucessora titular da linhagem de Paul Genki Kahn Roshi. Ela se descreve como uma pessoa de dupla pertença religiosa, de fé em duas tradições, dois caminhos místicos diferentes, tanto Cristão como Zen Budista. Para ela, o Zen é o núcleo de todas as tradições. É sacerdote budista e ministra cristã da Ordem Zen Garland.  

O Zen Cristão segue a tradição da sabedoria contemplativa do cristianismo que começou com os primeiros seguidores de Cristo. É a tradição mais antiga do cristianismo e muito necessária para o século XXI.
 

Seguimos Jesus como um mestre de sabedoria, cuja ênfase de amor em suas parábolas convida a humanidade a uma expansão radical da consciência, da consciência e da comunidade. Jesus usou a expressão "reino dos céus" para descrever uma "consciência não-dual" ou "consciência de unidade", incorporada por meio de "uma atitude de receptividade, uma vontade de entrar no fluxo e um compromisso com a unidade". Essa consciência é que ela não vê separação - não entre Deus e seres humanos, não entre humanos e outros seres humanos."

(Cynthia Bourgeault)
 

O Zen Cristão abraça uma teologia evolutiva, progressista e não-dual que se desenvolveu além do conceito de uma “deidade que criou o universo, que está fora da criaturas, mas que as manipula de vez em quando, julga, recompensa e castiga, e tem um plano para cada um, é masculino, e favorece um patriarcado”.
 

Partimos de que toda a criação compartilha a mesma natureza, interconectada, em evolução, conjunta e constante. Aqui reside nossa responsabilidade humana de formar "uniões criativas" (Teilhard de Chardin). Não temos uma compreensão adequada dessa natureza cósmica, e certamente não temos uma linguagem que a expresse adequadamente.


 
 

Tomamos emprestado da prática Zen Budista este despertar para uma perspectiva dessa natureza - totalidade, unidade, mutualidade –  em busca de alargar habilidades para viver de maneira que a iluminação e a unidade, seja promovida num esforço cooperativo. 


Este Jesus era admirável, mas não mais do que todos nós somos. As nossas diferenças eram em grau, não em espécie. Este Jesus apontou para o mistério divino, não para si mesmo e reconheceu muitas maneiras de entrar no processo de transformação.  

Honramos Jesus como um Roshi sábio, um místico, um reformador social engajado. Não cremos que Jesus nasceu para nos redimir, mas para nos ensinar a viver. No Zen Cristão não estamos focados na crucificação, numa vida perdida, mas numa existência plena.
 

No Zen Cristão oferecemos um caminho do espírito de Jesus de Nazaré. Ao longo da sua vida, como a conhecemos, Jesus estava profundamente imerso em uma vida de oração e meditação, numa conexão direta com a realidade divina ou sagrada.

Thomas Merton anunciou. "O futuro para os cristãos é o Zen".
 

Praticamos a meditação Zen para nos ajudar a entrar na tradição contemplativa que anula conceitos sobre Deus, para que possamos despertar para a presença divina em todo lugar e em todas as coisas. Para encorajar esta espiritualidade, criamos uma nova associação chamada “Living Presence Mystics”, aberta aos místicos de todas as crenças. Meditamos não para escapar desta vida, mas para ganhar entusiasmo e desenvoltura para experimentar plenamente uma vida de unidade.


 
Ann Ankai Wagner sensei é monja Zen-Cristã da linhagem “Zen Garland”. É sucessora do Dharma de Paul Genki Roshi. Atua na linha de pensamento de Thomas Merton, integrando os ensinamentos de Cristo com os métodos Zen Budista. Iniciou sua prática contemplativa com o Pe. Thomas Keating. Há mais de 27 anos é membro e também já foi co-diretora das “Irmãs de São José – Leigas da paz”. Tem um profundo compromisso com a ecologia espiritual de Thomas Berry, e tem servido durante os últimos 6 anos no Conselho de Waterspirit, um centro ambiental em Elberon, NJ.

http://www.christian-zen.org
http://zengarland.org

terça-feira, 2 de maio de 2017

ANN ANKAI WAGNER SENSEI - POEMA EUCARISTICO








 Ann Ankai e Paul Genki


não sintamos culpa  
se o conceito de Deus  
se perdeu


a força
contida algum dia
no forma de uma hóstia
 

agora envolve
toda a vida 


o ritual cansativo
abre espaço à percepção
do instante
e encontramos nele

o eterno
 

Jesus chamou todos à mesa,
   e na própria eucaristia
  entregamos nossa essência


Nosso foco é o Zazen, a liturgia e os cerimoniais que nos unem à terra, à criatividade e Deus em nós. A comunhão dentro dos nossos corações.  O Zen Cristão é a prática da consciência de Cristo, a intimidade de Jesus no nosso ser, é o exercício de compaixão por todos os seres. A ênfase é dupla: uma jornada interior pro despertar, e o esforço de estabelecer integridade e compaixão no planeta.


 tradução livre
 

Ann Ankai Wagner sensei é monja Zen-Cristã da linhagem “Zen Garland”. É sucessora do Dharma de Paul Genki Roshi. Atua na linha de pensamento de Thomas Merton, integrando os ensinamentos de Cristo com os métodos Zen Budista. Iniciou sua prática contemplativa com o Pe. Thomas Keating. Há mais de 27 anos é membro e também já foi co-diretora das “Irmãs de São José – Leigas da paz”. Tem um profundo compromisso com a ecologia espiritual de Thomas Berry, e tem servido durante os últimos 6 anos no Conselho de Waterspirit, um centro ambiental em Elberon, NJ.



segunda-feira, 1 de maio de 2017

PATRICK EASTMAN KUNDO - MEU ENCONTRO COM PE. BEDE GRIFFITHS




Fui um oblato beneditino da comunidade anglicana de Nashdom, em meados dos anos 1960 estava quando estudava para o sacerdócio na Igreja Anglicana da Casa de Santo Estêvão em Oxford, fui atraido pelo livro “Golden String” do Pe. Bede Griffiths. Eu tinha visitado Prinknash uma vez antes, então eu já conhecia esta comunidade, e achei seu compromisso com o diálogo interreligioso extremamente interessante. Na mesma época, li os documentos do Concílio Vaticano II, especialmente “Nostra Aetate”, sobre a relação da Igreja Católica com as religiões não-cristãs. Eu estava particularmente muito interessado pelo que li sobre Budismo. Ao mesmo tempo que eu procurava viver uma vida espiritual contemplativa cristã, encorajei-me a estudar: "O Budismo em suas várias configurações, propõe uma atitude pelo qual as pessoas podem, com diligência, acessar um estado de libertação total e alcançar a completa iluminação". Além disso, colaborou com o meu sincero compromisso de dialogar com budistas, ao que diz esta passagem: “A Igreja Católica não rejeita nada do que é verdadeiro e santo nessas religiões. Portanto, a Igreja exorta seus filhos e filhas a entrar com cuidado e caridade em discussões e cooperações com membros de outras religiões, para o reconhecimento das verdades espirituais e morais encontradas entre os não-cristãos”. Este desejo de estar aberto ao Zen Budismo surgiu em 1983, quando, depois de passar 15 anos como sacerdote anglicano, minha esposa e eu nos mudamos para Tulsa, Oklahoma, onde fui aceito como padre católico que havia obtido matrimônio. Foi auspicioso naquela época ter ido morar quase na porta do mosteiro de Osage. Osage era uma pequena comunidade religiosa estabelecida pelas irmãs beneditinas, como a Irmã Pascaline Coff, que passou um ano em Shantinavam com o Pe. Bede. O mosteiro foi construído numa área de 50 hectares no território de Osage. Pe. Bede veio da Índia abençoar o espaço e os alojamentos, concretizando assim o primeiro Ashram Beneditino da América do Norte. Nos anos seguintes, Pe. Bede sempre fazia uma visita ao mosteiro de Osage, durante suas visitas à América ficava uma semana ou mais. Durante essas visitas passei um bom tempo dialogando com ele e recebi muito força. Concelebrando a Eucaristia com ele, também pude aprender como oficiar uma cerimônia no estilo indiano, que foi mais interessante quando atuei como capelão da comunidade entre 1990 a 1995. Nas minhas conversas com o Pe. Bede falei da minha prática Zen Budista. Pe. Bede me deu muito ânimo, foi encorajador, lembrou-me que o Zen se desenvolveu fora da tradição Hindu mas que ainda se unificava com o Hinduísmo em sua raiz mais profunda. (aqui Pe. Bede usou uma expressão típica usando seus dedos e a palma da sua mão para mostrar que todas as religiões do mundo se unem em seu plano mais profundo). Embora eu tivesse começado a usar meu próprio método de meditação Zen inspirado nos escritos de Thomas Merton durante a década de 1980, foi no mosteiro de Osage que fui apresentado pela primeira vez a um genuíno Zen Roshi. Ruben Habito Roshi veio liderar as irmãs em seu retiro anual. Após minha participação neste retiro, fui aceito como um estudante Zen por Ruben em 1990. Isso marcou o momento em que a minha prática se desenvolveu de modo mais sério. Minha tarefa sacerdotal na naquela época era de diretor Diocesano de Formação Espiritual. Como parte do meu trabalho sob este importante título, formei um grupo de oração contemplativa. Embora ainda chamado de “grupo de oração”, eles se desenvolveram na comunidade Monos, que pouco a pouco sob minha orientação se tornou algo parecido com uma sangha. Em 2001 passei por um longo mês sabático. Um membro da comunidade Monos ofertou um financiamento de viagem ao Japão para eu estudar num mosteiro Zen. Cuidadosamente considerei a possibilidade, mas acabei sendo atraído por participar do programa de residência de um mês no "Zen Mountain Monastery" localizado nas montanhas Catskill do norte de Nova York. Este monastério foi considerado como um dos melhores mosteiros de treinamento Zen do ocidente. Daido Loori Roshi, o abade do Mosteiro tinha treinado com o mestre Zen japonês Taizan Maezumi Roshi que veio à Los Angeles na década de 1950. Os livros de Taizan Maezumi e Daido me ajudaram muito na prática. Decidi que passaria todo o mês de outubro no mosteiro sob a orientação de Daido Roshi. A experiência desta época foi tão poderosa que, com a permissão de Ruben Habito, me tornei um estudante formal com Daido Roshi. Durante todo este tempo eu ainda estava conectado a Pe. Bede, me pusera como oblato beneditino da comunidade Camaldolense em Big Sur, Califórnia. Durante minhas visitas para os retiros e para passar um tempo só no eremitério, me tornei amigo de Pe. Cyprian Consiglio, que é membro dessa comunidade. Pe. Cipriano estudou os escritos do Pe. Bede e passou um longo tempo no Ashram em Shantivanam. Como eu, ele é verdadeiramente dedicado ao trabalho do diálogo interreligioso, todos os anos viaja por todo o mundo para passar a mensagem do Pe. Bede, usando poesia e música em suas canções, versos e melodias de distintas religiões. Não foi nenhuma grande surpresa quando me aposentei do trabalho em Tulsa em 2004, e voltei a morar na Inglaterra. Não demorou muito montei um grupo Zen em Cotswolds. Em 2006 formamos a “Wild Goose Zen Sangha”, que se reúne todas as quintas-feiras à noite na Igreja St. Lawrence em Chesterton, em Cirencester. Quando voltei para a Inglaterra, no entanto, não podia cumprir as condições para continuar a ser aluno de Daido Loori Roshi. Por causa da minha longa amizade com o Pe. Robert Kennedy, que é tanto padre jesuíta quanto um  Roshi, pedi que me aceitasse como seu discípulo. Ele concordou prontamente e em 2009, com o acordo do bispo Declan, o bispo católico de Clifton, ele me transmitiu como um “Sensei” (professor) no White Plum Asanga, sangha fundada por Taizan Maezumi Roshi. Fiquei satisfeito por ter meu trabalho assegurado pela publicação em 2010 de um documento de ensino da Conferência dos Bispos Católicos da Inglaterra e do País de Gales chamado “Meeting God in Friend and Stranger”. Nesse relatório foi dito que o Papa Bento XVI, durante sua visita à Turquia em 2006, declarou que o diálogo não era uma opção, mas uma necessidade. Parece-me que não havia melhor maneira de responder a isto do que praticar um exercício de oração inspirado na de outra tradição religiosa, que é perfeitamente compatível com a fé cristã. Afinal, o mestre Zen japonês Yamada Roshi, costumava dizer duas coisas aos cristãos que estudavam com ele; Não há diferenças entre um cristão e um zen budista quando oram: ambos são luz sentadas na luz". De outro modo, ele diria aos estudantes cristãos: “Não estou tentando te converter ao Budismo, mas te auxiliar a se esvaziar, como fez seu senhor Jesus Cristo”. Na minha própria vida, descobri que a tradição cristã é esplêndida em sua teologia e oração contemplativa, mas o que falta são instruções de como fazer isso. Para aqueles que são atraídos para um estilo contemplativo de oração, além de todas as escrituras, a prática Zen Budista é uma maneira favorável de entrar em contato com o seu próprio ser genuíno. O Zen oferece algo muito simples, muito direto e acessível a todos.
 
21/12/2011


Patrick Eastman Kundo, é um padre católico e monge Zen Budista ordenado por Pe. Robert Jinsen Kennedy Roshi. É fundador e orientador do ”Wild Goose Zen Sangha” na região Cotswold no Reino Unido. Treinou também com Ruben Habito Roshi, John Daido Loori Roshi e Maezumi Roshi.