"Cristianismo e Budismo se reencontram neste livro de Pe. Aloysius. Um reencontro de respeito e harmonia, com o propósito comum de beneficiar a todos os seres. A reflexão principal é sobre o papel das religiões e dos religiosos na transformação social, plena de justiça e de cuidado amoroso. Diálogo inter religioso entre Budismo e Cristianismo, onde o encontro transforma a um e ao outro. Não com o intuito de conhecer para poder melhor se inserir e forçar a sua tradição sobre a outra. Mas no verdadeiro sentido de conhecer, apreciar, dar as mãos e juntos agir para salvar, libertar tanto os oprimidos como os opressores, libertar das amarras da ignorância, da intolerância, da manipulação, do desrespeito ao diferente. Libertar das discriminações, preconceitos, das guerras, das injustiças, dos abusos e dos diabos comuns às duas tradições. Um Cristianismo que não se impõe como verdade absoluta e única salvação, mas que se propõe a cuidar dos pobres e dos oprimidos, que se propõe a compreender o outro, respeitar suas tradições e ao mesmo tempo oferece o olhar de Cristo, puro e translúcido, sobre culturas asiáticas. O Budismo do Sri Lanka o acolhe e o leva a presenciar uma cura espiritual em um vilarejo, onde monges dançam mascarados como vários demônios, demônios que perdem todo peso e domínio sobre as pessoas, quando seu simbólico bailarino – caricatura engraçada – faz com que perca seu cunho de terror.
Padre Aloysius, neste trabalho de religião comparada, coloca mais uma irmã junto às filhas da Esperança de Agostinho – o humor. Assim, a Esperança precisa da Ira, sua primeira filha – a indignação frente aos abusos de poder, frente às injustiças sociais. Indignação que se torna uma alavanca de transformação do mundo. Mas essa transformação só existe se houver a Coragem – a segunda filha da Esperança. Padre Aloysius então sugere a terceira filha – o humor, que aprende dos monges budistas. Humor para transformar o mundo. Lembrando a história de Sidarta, o jovem que se tornará Buda, que aprende a rir de si mesmo, a rir de seus demônios, dos diabos – aquilo que divide e separa – no eterno retorno ao uno absoluto. Pe. Aloysius, que se mistura com os povos dos locais por onde passa, possui o olhar capaz de ver e de aceitar, de agradecer e de comungar com todos, sem perder sua fé e seu caminho. Sem dúvida este livro é um presente para o Brasil, neste momento em que novos grupos religiosos combatem grupos antigos e se recusam ao encontro e ao diálogo. Sejamos capazes de ler, entender e por em prática os ensinamentos de amor e cuidado terno, plenos de sabedoria e de humor tranqüilo que esta obra inspira."
Mãos em prece
Aloysius Pieris, nascido em 1934 em Ampitiya, Sri Lanka, é o primeiro cristão que obteve doutorado em Estudos Budistas na Universidade budista do Sri Lanka. É fundador e diretor do Tulana Research Centre for Encounter and Dialogue em Kelaniya, Sri Lanka, um centro reconhecido internacionalmente de pesquisa, encontro e diálogo interreligioso e intercultural. É um escritor muito fecundo. Em seus livros e artigos preocupa-se em introduzir o sentir religioso asiático existente em pensamento e ação. Assim, os escritos de Pieris estão acessíveis tanto a cristãos como a budistas.
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