Quando se fala em meditação é comum pensarmos em meditarmos sobre alguma coisa. Temos um assunto para avaliar. Isso faz sentido, como dar um foco para a mente. Mas, seja qual for o tema que propomos, mesmo os mais acalorados, geralmente no final achamos um tanto banal, por não manter a concentração. Então, ficamos distraídos, nossa mente se dispersa e fantasiamos, é uma forma de ilusão e ansiedade, e a meditação se torna frustrante, talvez mais frustrante que qualquer uma de nossas atividades diárias normais. Para alcançar esta condição, não implica em algo que devemos pensar, mas sim que devemos não pensar. Porém, nossa mente sendo o que é, parece impossível. Então nos esforçamos para não pensar em nada, isso também se torna um objeto (talvez a imagem de um círculo, ou de um buraco vazio), e nos afastamos cada vez mais. O que podemos fazer, porém, se estamos suficientemente alerta, é não nos apegar a qualquer pensamento - deixar que os pensamentos fluam, desapegando deles, permitindo assim que desapareçam no vazio. Qualquer um, até o menos fervoroso Católico Cristão, que aprendeu a sentar com a coluna alinhada, os olhos baixos embora não fechados, as pernas cruzadas, a respiração lenta e suave quase não perceptível, testemunhará considerável expansão da consciência. Mentalmente, dá a indescritível sensação de estar em contato com o Supremo – embora praticados com Budistas (como de tempos em tempos tem sido o meu privilégio), e para qualquer pessoa educada na tradição cristã apresentada a esses períodos de meditação, as formações mentais devem sempre ser observadas nos termos do Deus manifestado, nosso Senhor Jesus Cristo.
Excertos do artigo: “Em meditação” (Um discurso para a Sociedade de São João Evangelista, Cambridge, EUA, 10 de novembro de 1965.)
Dom Aelred Graham foi um monge e teólogo beneditino inglês da abadia de Ampleforth. De 1951-1967 serviu como superior do Priorado de Portsmouth em Rhode Island. Foi um dos pioneiros no diálogo interreligioso cristão-budista. Escreveu o famoso livro “Zen Católico” publicado em 1963, “O amor de Deus”, “Diálogos: Encontros com Cristãos e Budistas no Japão, 1968”, entre outros. Manteve por muitos anos correspondência e amizade com Thomas Merton.


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