terça-feira, 20 de junho de 2017

PE. HENRY VESSEUR - O DIÁLOGO NA HOLANDA


Jardim Zen do mosteiro de St. Willibrord

P: Você diz que neste mosteiro se pratica o Zen. Disse também que os monges tiveram uma espécie de crise de identidade após o Concílio Vaticano II, e que o monasticismo cristão foi reinventado utilizando o Zen. O que foi encontrado no Zen que deslumbrou a tradição cristã?

R: Depois da declaração do Concílio Vaticano II muitos monges saíram das suas abadias, a seguridade da vida monástica tradicional e suas regras fixas se vulnerabilizaram. Além disso, a sociedade sofreu alterações. A questão da busca de Deus foi confrontada, que é o único critério da Regra de São Bento. Nesta abertura, os irmãos tornaram-se familiarizado com o Pe. Hugo Lasalle. A partir disso, o Zen foi reconhecido. O Zen foi a causa dos irmãos dizerem naquela época: "Vamos também pela corrente da Nostra Aetate, (o documento do Concílio Vaticano II sobre o diálogo com as religiões orientais), e foram para os retiros organizado pelo Pe. Hugo Lasalle. E assim, o que nós encontramos no Zen? Especialmente a oração suave e sem palavras. Tal oração é própria no cristianismo, quando falamos sobre da oração como uma instrumento para a paz. Praticar o Zen é realmente para nós uma redescoberta deste aspecto contemplativo. Redescobrimos o silêncio. Na igreja você vê o retorno disso. Por exemplo, existem momentos silenciosos de contemplação durante a liturgia, que pode ser um tipo de silêncio contínuo, ininterrupto. O silêncio nos leva para as profundezas de si mesmo, ao nosso coração. Para fazer este movimento, nós realmente não tínhamos mais recursos. O Zen tem nos ajudado a descobrir novamente o que S.Bento falava sobre o “ouvir”.

P: Você vê a prática do Zen dentro da comunidade monástica como uma forma de múltipla pertença religiosa?

R: A prática do Zen no mosteiro continua a ser um ponto um pouco complicado. Acontece que alguns irmãos meditam totalmente na forma budista e falham em alguns outros pontos. Assim, eles também se soltaram da forma tradicional cristã. A vida monástica cristã não deve ser uma mistureba, que você põe no liquidificador e pratica as duas tradições como se fosse uma. Quando falo para mim mesmo: o gênio do cristianismo é Cristo, é porque ele é a razão de ser dos cristãos. Isso é não é igual nas outras tradições. Essas diferenças, devemos manter. Isso é o que “Nostra Aetate” diz. Ao mesmo tempo, uma visão importante da “Nostra Aetate” diz que as religiões são mutuamente especiais. O Zen tem nos servido como uma forma de explorar as camadas da nossa própria tradição. Isso faz da nossa vida monástica uma riqueza. Toda a cultura por trás, a cultura budista, o caminho óctuplo, etc, para nós tem um valor direto no nosso monaquismo, no sentido de que nos acrescenta. E, devo honestamente dizer agora que eu sou o único na abadia que está fortemente envolvido com o Zen, e que leva a sério a meditação. O Zen no nosso mosteiro é realmente um legado, hoje estamos profundamente envolvidos com a sociedade holandesa que está cada vez mais caracterizada pela presença de pessoas de diferentes culturas, que também aderiram diferentes religiões."

trecho de uma entrevista feita por Hanneke Honselaar do site https://www.nieuwwij.nl/





Pe. Henry Vesseur, é abade do mosteiro beneditino de “St. Willibrord” em Gelderlen – Doetinchem na Holanda. O mosteiro é conhecido desde os anos sessenta por integrar o Zen Budismo na vida monástica cristã. É realizado anualmente encontros inter-religiosos junto a sangha budista do Zen River. Dentro da programação do mosteiro é oferecido sessões de Zazen aos interessados, as sessões são orientadas pelo pe. Henry Vesseur, além dos serviços litúrgicos tradicionais.

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