Jardim Zen do mosteiro de St. Willibrord
P: Você diz que neste mosteiro se pratica o Zen. Disse também que
os monges tiveram uma espécie de crise de identidade após o Concílio Vaticano
II, e que o monasticismo cristão foi reinventado utilizando o Zen. O que foi
encontrado no Zen que deslumbrou a tradição cristã?
R: Depois da declaração do Concílio Vaticano II muitos monges saíram
das suas abadias, a seguridade da vida monástica tradicional e suas regras fixas
se vulnerabilizaram. Além disso, a sociedade sofreu alterações. A questão da busca de Deus foi confrontada, que é o único critério da Regra de
São Bento. Nesta abertura, os irmãos tornaram-se familiarizado com o Pe. Hugo
Lasalle. A partir disso, o Zen foi reconhecido. O Zen foi a causa dos irmãos dizerem naquela época: "Vamos também pela corrente da Nostra Aetate, (o documento do Concílio Vaticano II sobre o diálogo com as religiões orientais), e foram para os retiros organizado pelo Pe. Hugo Lasalle. E assim, o que nós encontramos no Zen? Especialmente a oração
suave e sem palavras. Tal oração é própria no cristianismo, quando falamos
sobre da oração como uma instrumento para a paz. Praticar o Zen é realmente para nós uma
redescoberta deste aspecto contemplativo. Redescobrimos o silêncio. Na igreja você vê o retorno disso. Por exemplo, existem momentos silenciosos de contemplação durante a liturgia, que pode ser um tipo de silêncio
contínuo, ininterrupto. O silêncio nos leva para as profundezas de si mesmo,
ao nosso coração. Para fazer este movimento, nós realmente não tínhamos mais
recursos. O Zen tem nos ajudado a descobrir novamente o que S.Bento falava
sobre o “ouvir”.
P: Você vê a prática do Zen dentro da comunidade monástica como
uma forma de múltipla pertença religiosa?
R: A prática do Zen no mosteiro continua a ser um ponto um
pouco complicado. Acontece que alguns irmãos meditam totalmente na forma
budista e falham em alguns outros pontos. Assim, eles também se soltaram da forma
tradicional cristã. A vida monástica cristã não deve ser uma mistureba, que você põe no
liquidificador e pratica as duas tradições como se fosse uma. Quando falo para mim mesmo: o gênio do cristianismo é
Cristo, é porque ele é a razão de ser dos cristãos. Isso é não é igual nas outras
tradições. Essas diferenças, devemos manter. Isso é o que “Nostra Aetate” diz.
Ao mesmo tempo, uma visão importante da “Nostra Aetate” diz que as religiões são
mutuamente especiais. O Zen tem nos servido como uma forma de explorar as
camadas da nossa própria tradição. Isso faz da nossa vida monástica uma riqueza. Toda a cultura por trás, a cultura budista, o caminho óctuplo, etc, para nós tem um valor direto no nosso monaquismo, no sentido de que nos acrescenta.
E, devo honestamente dizer agora que eu sou o único na abadia que está fortemente
envolvido com o Zen, e que leva a sério a meditação. O Zen no nosso mosteiro é
realmente um legado, hoje estamos profundamente envolvidos com a sociedade holandesa
que está cada vez mais caracterizada pela presença de pessoas de diferentes
culturas, que também aderiram diferentes religiões."
Pe. Henry Vesseur, é abade do mosteiro beneditino de “St. Willibrord”
em Gelderlen – Doetinchem na Holanda. O mosteiro é conhecido desde os anos
sessenta por integrar o Zen Budismo na vida monástica cristã. É realizado
anualmente encontros inter-religiosos junto a sangha budista do Zen River. Dentro da programação do mosteiro é oferecido
sessões de Zazen aos interessados, as sessões são orientadas pelo pe. Henry
Vesseur, além dos serviços litúrgicos tradicionais.


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