segunda-feira, 12 de junho de 2017

THOMAS MERTON OCSO - O TAO DE CRISTO



O cap. 67 do Tao Te Ching é um dos mais profundos e mais próximos do Cristianismo. No Tao, "que mais estranho que qualquer coisa na terra", encontram-se três tesouros: a misericórdia, frugalidade, e o não querer ser o primeiro no mundo. E contém esta afirmação extraordinariamente profunda:

porque sou misericordioso, posso ser valente
pois o céu virá em socorro do misericordioso
e o protegerá com sua misericórdia

Ouvem-se ecos do Evangelho: "Bem aventurados os misericordiosos..." "o amor perfeito lança fora o temor". Ao comparar a tradução do dr. Wu com a de Lin Yutang, na edição de Lao Tzu pela Modern Library (outra tradução extremamente interessante, com passagens paralelas do poeta e sábio Chuang Tzu), encontramos novas perspectivas. (Muitas vezes é necessário ler a tradução de um texto chinês em duas ou mais versões.)

quem desiste do amor e do destemor
desiste da moderação e guarda poder
desiste de seguir atrás e corre na frente
este está perdido!
pois o amor é vitorioso no ataque
e invulnerável na defesa,
o céu arma com amor
aqueles que não quer ver destruídos

A palavra que Lin Yung traduz por "amor", e o dr. Wu por misericórdia, é, de fato, o amor compassivo da mãe pelo filho. Mais uma vez, o sábio r o governante prudente são homens que não correm à frente para se engrandecerem a si mesmos, mas cuidam, com solicitude amorosa, da realidade "sagrada" das pessoas e das coisas que lhe foram confiadas pelo Tao.



Thomas Merton  
Místicos e Mestres Zen  
AMOR E TAO 
pág. 84-85.

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