terça-feira, 23 de maio de 2017

5. GRAVURA - AS DEZ GRAVURAS DE DOMAR O TOURO DE KAKUAN PARA CRISTÃOS



Quando um pensamento surge, outro o segue e depois mais um, muitos pensamentos assim despertam.
Através da iluminação, tudo se torna a verdade.
Caso resida na ignorância, o falso prevalece.
Isso acontece não por causa do mundo objetivo, e sim da mente que engana a si mesma. Não permita que a corda da argola do focinho fique frouxa. Segure-a com firmeza e sem vacilar.

trad. Monja Coen

5. gravura do Jugyuzu - "As dez gravuras de domar o touro" de mestre Kakuan Shion Zenji. As dez gravuras representam os degraus que levam ao despertar da consciência.

Na quinta gravura, os cristãos têm a oportunidade de entender o aspecto de "Samadhi". A vigilância [Samädhi] implica no intenso esforço de concentração, particularmente no início. Vigilância é a observação de como os pensamentos acontecem, de que forma surgem, da onde surgem, se do profundo da mente, enquanto buscamos purificá-la e atingir a mente original. “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação”.

do artigo: "Aprendizagem de uma vida cristã contemplativa através das "Dez gravuras do touro e o pastor."



Jaechan Anselmo, entrou para a abadia beneditina em Waegwan na Coréia do Sul em 1991. Depois de sua ordenação sacerdotal em 2001, foi diretor de vocações e dirigiu o programa de experiência monástica para a juventude. Atualmente pesquisa a obra de Thomas Merton e o diálogo monástico inter-religioso. Em 2006, publicou o livro, “Ação e Contemplação ” como entendido no Salmo 131.



4. GRAVURA - AS DEZ GRAVURAS DE DOMAR O TOURO DE KAKUAN PARA CRISTÃOS

Escondido há muito na mata, finalmente encontro o touro e coloca sua mãos sobre ele.
Mas é difícil mante-lo quieto, constantemente saudoso do antigo e doce cheiro do campo.
A natureza selvagem ainda é ingovernável e recusa a se dobrar.
Se quiser manter o touro em completa harmonia, certamente terá de usar o chicote.

trad. Monja Coen

4. gravura do Jugyuzu - "As dez gravuras de domar o touro" de mestre Kakuan Shion Zenji. As dez gravuras representam os degraus que levam ao despertar da consciência.

Neste período, a orientação de um mestre capacitado é importante. O chicote do pastor se equipara ao apontamento de um mestre Zen, uma vez que os praticantes nesta fase progridem rapidamente se seguirem as instruções do mestre. Na vida contemplativa cristã, ainda que o praticante possa ser confrontado várias vezes com o touro selvagem e com nevoeiros mentais, ele  tem de se lembrar que isso faz parte do processo de busca da sua verdadeira natureza.

do artigo: "Aprendizagem de uma vida cristã contemplativa através das "Dez gravuras do touro e o pastor."

Jaechan Anselmo, entrou para a abadia beneditina em Waegwan na Coréia do Sul em 1991. Depois de sua ordenação sacerdotal em 2001, foi diretor de vocações e dirigiu o programa de experiência monástica para a juventude. Atualmente pesquisa a obra de Thomas Merton e o diálogo monástico inter-religioso. Em 2006, publicou o livro, “Ação e Contemplação ” como entendido no Salmo 131.



3. GRAVURA - AS DEZ GRAVURAS DE DOMAR O TOURO DE KAKUAN PARA CRISTÃOS


"Através do som, você obtém a entrada.
Pela visão, fica face a face com a origem.
Todos os seus sentidos estão em ordem e harmonia.
Manifesta-se presente em todas as atividades.
É como o sal na água e a cola na tinta.
Ao levantar as pálpebras, descobrira que não há outro além de si mesmo."

trad. Monja Coen

3. gravura do Jugyuzu - "As dez gravuras de domar o touro" de mestre Kakuan Shion Zenji. As dez gravuras representam os degraus que levam ao despertar da consciência.

Na terceira gravura, o touro não está mais escondido, o “Eu” do contemplativo lhe revela que Deus também não está mais camuflado, e que é a sua própria essência. Esse fenômeno é o “início da graça”, para usar um termo cristão, que é o retorno à nossa verdadeira natureza, com a mente unida em Cristo. O carisma da autoconfiança é o carisma que a terceira gravura representa, o touro não está mais fora de vista, agora o pastor deve confiar apenas em si mesmo. Torna-se mais determinado em experienciar sua própria natureza. Por meio da confiança em si, o contemplativo encontra Deus em seu interior. O Deus oculto é revelado a ele, como a "origem". O conflito do cristão contemplativo durante os períodos de meditação e oração, muitas vezes é o combate contra sua própria escuridão espiritual. Essa luta acontece conscientemente, já com o boi enlaçado – a mente inconsciente e indisciplinada procura a energia do sopro de Deus para domá-lo. De tal modo a luta do pastor com o touro bravo, o cristão se depara com a mente inconsciente e indisciplinada diante de Deus e deve continuar persistentemente em sua presença. A dificuldade dos primeiros passos do roteiro é indispensável e aceitável. Para avançarmos, não devemos nos distrair. “Sem sofrimento, e sem nenhum ganho!” Neste ponto, no entanto, o praticante não elimina as emoções negativas ou pensamentos que lhe dão ânimo, ele ou ela deve percorrer o “caminho do meio” em vez de um ascetismo excessivo. O Budismo ensina que para cada aspecto da vida, a maneira adequada da mente se unificar entre extremos, é a senda do caminho do meio.


do artigo: "Aprendizagem de uma vida cristã contemplativa através das "Dez gravuras do touro e o pastor."


Jaechan Anselmo, entrou para a abadia beneditina em Waegwan na Coréia do Sul em 1991. Depois de sua ordenação sacerdotal em 2001, foi diretor de vocações e dirigiu o programa de experiência monástica para a juventude. Atualmente pesquisa a obra de Thomas Merton e o diálogo monástico inter-religioso. Em 2006, publicou o livro, “Ação e Contemplação ” como entendido no Salmo 131.

2. GRAVURA - AS DEZ GRAVURAS DE DOMAR O TOURO DE KAKUAN PARA CRISTÃOS



"Com a ajuda dos ensinamentos e inquirindo sobre as doutrinas, ganha-se alguma compreensão: as pegadas foram encontradas.
Agora sabe que os recipientes, embora variados, são todos de ouro e que o mundo objetivo é um reflexo do Eu.
Entretanto, é incapaz de distinguir o que é correto e incorreto. Sua mente ainda confunde a verdade e a falsidade.
Como ainda não adentrou o portal, dizemos, provisoriamente, que viu as pegadas."

trad. Monja Coen

2. gravura do Jugyuzu - "As dez gravuras de domar o touro" de mestre Kakuan Shion Zenji. As dez gravuras representam os degraus que levam ao despertar da consciência.


Através da segunda gravura, os cristãos podem instruir-se no caminho contemplativo fundamental. Assim como o pastor se depara com os rastros das pegadas do touro, os cristãos também têm de procurar os rastros mais profundos de Deus em si mesmo, aliado ao estudo das escrituras, da tradição, e da prática meditativa. Na vida cristã contemplativa, as escrituras são ferramentas úteis para atravessar o portal do reino de Deus. Entretanto, não podemos conhecer perfeitamente a Deus somente através das escrituras ou de doutrinas. Temos que perceber que não podemos compreender a verdade como um fim para a qual nada pode ser acrescentado, e que esta “não-compreensão” da verdade é o caminho para o desenvolvimento espiritual. Esta percepção relativa ao "não-saber", conduz o praticante à uma consciência elevada. Uma vez que a vida contemplativa pode não ser um processo de conhecimento intelectual, mas um processo de "não-saber" (vide A noite escura de São João da Cruz). A união com Deus por meio de experiências contemplativas é um processo inacabável, muito além da compreensão racional. Através da meditação os cristãos têm a percepção de que Deus se faz presente em todo lugar. Com essa consciência, o segundo passo do contemplativo é encontrar Deus em seu interior.

do artigo: "Aprendizagem de uma vida cristã contemplativa através das Dez gravuras do touro e o pastor."


Jaechan Anselmo, entrou para a abadia beneditina em Waegwan na Coréia do Sul em 1991. Depois de sua ordenação sacerdotal em 2001, foi diretor de vocações e dirigiu o programa de experiência monástica para a juventude. Atualmente pesquisa a obra de Thomas Merton e o diálogo monástico inter-religioso. Em 2006, publicou o livro, “Ação e Contemplação ” como entendido no Salmo 131.

1. GRAVURA - AS DEZ GRAVURAS DE DOMAR O TOURO DE KAKUAN PARA CRISTÃOS


O touro nunca se perdeu.
Qual o sentido de o procurar?
Afastando-se do seu próprio despertar, acaba emaranhado.
Perde a intimidade consigo mesmo ao encobrir sua natureza própria.
Sua casa fica mais e mais distante. As estradas laterais e as encruzilhadas se confudem.
Desejo por ganho e medo de perda queimam como fogo.
Ideias de certo e errado disparam como flechas.

trad. Monja Coen


1. gravura do Jugyuzu - "As dez gravuras de domar o touro" do mestre Kakuan Shion Zenji. As dez gravuras representam os degraus que  levam ao despertar da consciência.

Na primeira gravura, os cristãos iniciam a prática espiritual, em busca do “eu” original, para assim se unificarem a Cristo. O pastor ou monge pode ser comparado com o filho pródigo em Lucas 15:17: "Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti." 

O pastor, como o filho pródigo, está chocado ao descobrir que está perdido. O que ele busca, é o caminho de volta para a casa de seu Pai (a origem de tudo), na linguagem de Jesus, “O Reino de Deus. O lar do cristão está nele (Lucas 17:): "Disse o pai: Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu", assim como o pastor e o filho pródigo, todos os cristãos são convidados a percorrer o caminho rumo ao “Reino de Deus”, ao “eu” original. 

Os cristãos contemporâneos se desviaram do caminho devido ao materialismo. Thomas Merton argumenta que "a contemplação é tanto um dom, graça, como uma arte". Infelizmente, essa arte foi deixada de lado. Precisamos de disciplina, e a série das dez gravuras fornecem tais instrumentos. Recebamos e pratiquemos com profunda gratidão este dom de nossos irmãos e irmãs do Zen.

Para ilustrar esse conceito, o pastor é chamado a iniciar sua jornada espiritual se unindo ao touro. O touro e o pastor são na verdade um só, mas à primeira vista podem parecer que estão separados. Os cristãos e Cristo são na realidade um, mas a principio também podem estar separados, e o praticante se une a Cristo através da meditação e oração. Procurar o touro,  é o movimento de retorno a Cristo em busca da identidade original que foi perdida dentro dessa cultura materialista.

do artigo: "Aprendizagem de uma vida cristã contemplativa através das "Dez gravuras do touro e o pastor."



Jaechan Anselmo, entrou para a abadia beneditina em Waegwan na Coréia do Sul em 1991. Depois de sua ordenação sacerdotal em 2001, foi diretor de vocações e dirigiu o programa de experiência monástica para a juventude. Atualmente pesquisa a obra de Thomas Merton e o diálogo monástico inter-religioso. Em 2006, publicou o livro, “Ação e Contemplação ” como entendido no Salmo 131.

domingo, 21 de maio de 2017

GASAN JOSEKI E O SERMÃO DA MONTANHA



“Um dos discípulos do mestre Gasan Joseki visitou a universidade de Tokyo. Quando ele retornou, perguntou ao mestre se ele já tinha lido a Bíblia Cristã. - Não - Gasan respondeu - Por favor leia algo dela para mim. O monge abriu a Bíblia no Sermão da Montanha, evangelho de São Mateus, e começou a ler. “E por que andais preocupados quanto ao que vestir? Observai como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem...”. Após a leitura das palavras de Cristo sobre os lírios no campo, ele parou. Mestre Gasan ficou em silêncio por muito tempo. - Quem quer que proferiu estas palavras é um ser iluminado. É excelente. Quem disse isso não está longe da Budeidade. O que você leu para mim é a essência de tudo o que eu tenho tentado ensinar a vocês aqui. 

Conto Zen

Ainda que seja fato, o cristianismo ainda não tinha sido introduzido no Japão até a morte de Gasan, esta história é duvidosa. Outra explicação é outra história que está em “Zen Flesh, Zen Bones” é citado "Gasan", mas seria “Gisan Zenkai” outro ancestral, esse do século XIX. Diferentes edições de "Zen Flesh, Zen Bones" mostram a confusão entre Gisan/Gasan, um mestre do século retrasado tornaria a história mais aceitável.

Gasan Jōseki, foi um mestre Zen da linhagem Soto japonês. Ele era um discípulo de Keizan Jokin, e teve como discípulo Bassui Tokushō entre outros. Gasan começou seus estudos budistas dentro da escola Tendai, depois de uma reunião com Keizan em Kyoto, se juntou a ele no mosteiro de Daijo-ji, onde se tornou um dos seus principais discípulos. Anos mais tarde foi o segundo abade de Sôji-ji, dirigiu durante um período de quarenta anos, e foi brevemente o quarto abade de Yôkôji. Gasan foi o primeiro mestre no Japão a estudar o sistema dialético dos "Cinco Graus" (jap. Go-i ) do mestre chinês Dongshan Liangjie, fundador e homônimo da escola Soto.

CARL HOOPER - KOANS PARALELOS




Basho Osho disse aos seus discípulos, “se tens um bastão, te darei um; se não tens, tirarei o que possuis”. Jesus disse aos seus discípulos: "porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado: Mateus 25:29". Basho abriu os olhos dos seus discípulos para o mistério do Tao (caminho) que aguenta os céus e sustenta toda a Terra. Jesus revelou os mistérios do reino dos céus.  Basho instruiu seus discípulos com  um koan que não se esgota. Jesus falou para as multidões em parábolas, mas não para seus discípulos. Isto porque as multidões têm olhos, mas não veem, ouvidos, mas não ouvem. Os discípulos, entretanto, têm seus olhos e ouvidos abertos aos mistérios que seu mestre revelava. Basho treinou seus discípulos para que abrissem seus olhos e ouvidos para a expansão do Tao (caminho) misterioso.



    
Carl Hooper ao lado esquerdo de Ama Samy Roshi

Carl Hooper, é o fundador e sensei do “Bodhimount Zendo”. Começou seu treinamento com o Mestre Zen Ama Samy em 1988 na Austrália. No final do ano de 2013, Ama Samy Roshi o reconheceu como um professor autêntico da linhagem. Formou-se em Filosofia pela Universidade de Sydney, também é doutor pela Universidade da Nova Inglaterra. O título de sua dissertação de doutorado é “Kōans: as Investigações Filosóficas do Zen”.