Os cristãos que praticam já a algum
tempo zazen, encontram a oportunidade de um novo acesso
às Sagradas Escrituras. Este novo modo de compreendê-las não é meramente
racional; tampouco se fundamenta em leituras ou reflexões sobre algum documento,
ou a um insight de determinada ciência religiosa, pois com isso se manteriam no
mesmo nível que começaram. Ocorre que leem os textos de forma muito cerebral, até se
depararem com a própria realidade escondida por trás dos conceitos das palavras.
Como acontece neste caso com o pensamento autônomo da maioria das pessoas, como
aludimos acima. O resultado não é um conhecimento que se pode comunicar com
palavras, aliás, é um conhecimento da experiência, que está ligado a um puro e
profundo prazer. No âmbito das palavras,
inicialmente poderia ser lido um texto qualquer que dificultasse a experiência,
por fim se diluindo e não compreendido como é, uma vez captada a realidade a
sua maneira, isso deixa de ser importante. Aqui o cristão se encontra com Cristo
de um modo direto, que no fundo é onde a igreja e a teologia pretende conduzir.
Não se trata de um conhecimento melhor, mas de um profundo entendimento da fé,
que de certa maneira a pessoa já tinha antes. Pode-se dizer que a fé passa a
ser discernida. Esse discernimento é um dos objetivos fundamentais da nova
consciência, pois elimina todas as dúvidas, e neste momento a alma contempla o
profundo da unidade absoluta e envolvente do ser. Sem dúvida que existem outros
meios de meditação que podem ter efeitos parecidos e que transformam a
consciência religiosa. Mas isso só é possível no caso dos processos não objetivos,
porque os pensamentos e as especulações são obstáculos ao acesso a esta
realidade. Bem é verdade que outras formas de meditação trazem ainda
determinados elementos “transracionais”, podendo auxiliar indiretamente se
souberem o período de parar, dando lugar a meditação não objetiva. São João da
Cruz postula: “De todas estas inquietações, visões e
quaisquer outros tipos de formações mentais, como são assentados sob a forma de
imagens ou de certa inteligência particular, não são para perturbar ou
alimentar o intelecto.”
A prática Zen transforma a consciência religiosa?
1983. do livro: Viver em nova consciência, pág. 67-68
tradução livre

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