O Zazen começa com a chamada "Raiz
da Grande Fé". "Daishinkon" em japonês. (Dai
"grande", shin "fé, confiar", kon "raiz") Em que temos fé? Aceitamos
a realidade e simplesmente confiamos nela? No
Zen, aceitamos a realidade da natureza-buda (buddhata) (natureza de Cristo para
os cristãos) e no conceito de que tudo possui natureza-buda. Essa é a fé fundamental, e se você confia, isso se manifesta.
Você não é simplesmente essa natureza, mas deve experimentá-la conscientemente,
despertá-la. Em japonês, essa natureza-buda é chamada "kû”.
Em sânscrito é
chamada de "sunyatâ". Ambas as palavras, em certo sentido, significam
"vazio". No entanto “ku” não é um simples
vazio. É o que é vivo, ativo, desprovido de
tamanho-profundidade, além de individualidade ou personalidade e de causalidade.Todos os fenômenos surgem deste vazio, que só é vazio
do ponto de vista discriminativo. Está vazio de
todas as separações. “Vazio” no sentido de
extinção. No sentido de não termos uma
personalidade fixa, de todos os fenômenos brotarem deste vazio. O significado de “ku” como vazio nega qualquer
identificação com a personalidade. “Shin ku nyo
yu”, essa frase Zen tem um bonito significado. O
vazio verdadeiro é magnífico, indescritível. É esta experiência elementar da felicidade
verdadeira, que é a perfeita união. Esta é a
realidade última, o ensinamento primordial. Este
“sem forma” está aquiagora e pode ser experimentado. Eu posso experimentá-lo. Isso
é o que Jesus quis dizer: "Eu voltarei ao Pai". O “Pai” é este vazio, a fonte sem forma. Como conhecemos nossa própria natureza sem forma?
É apenas por meio da iluminação, lucidez e clareza.
Não se realiza através de palavras, ou falando. Assim
ninguém se ilumina, mas sim através da intuição, da
percepção direta. O oposto disso é o pensamento
conceitual. É como olhar para um mapa. Você não vai ter a experiência do lugar olhando para o mapa.
Só apenas quando você for para a cidade e ter essa experiência.
Isso é percepção direta. Conceitos, imagens, memórias. Todas essas coisas não são
percepção direta e isso nunca satisfará nossa fome por descobrir nossa
verdadeira natureza, que só pode ser vivida através do contato direto. Meu corpo é um fantasma, como bolhas num rio.
Minha mente, em si mesma, é tão sem forma quanto o espaço
infinito, mas em algum lugar por dentro ruídos são percebidos. Quem está ouvindo? Se você se
questiona neste sentido com profunda concentração, sem enfraquecer a intensidade
do esforço, sua mente racional acabará se cansando e apenas o questionamento
mais profundo se manterá. Finalmente você abandona
corpo e mente. Suas velhas concepções e achismos se anulam, em
seguida surgem questões mais elevadas, do tipo “como cada gota d´água desaparece
no fundo do copo”, lampejos seguirão como flores que desabrocham
inesperadamente em árvores mortas. De fato, com tal prática você consegue se libertar. Sua essência, então, que brilha se intensificará à
medida que as sensações ilusórias vão indo embora, como uma joia que cintila
sob o polimento, até que finalmente reluz em todo o universo. Não duvide disso! Bassui,
citado em Kapleau, Os Pilares do Zen, p. 171.
tradução livre do trecho do livro Handokai – O caminho Zen-Cristão (seleção de escritos e palestras de Thomas G. Hand)
Pe. Thomas Hand, foi um teólogo jesuíta que viveu por quase 30 anos no Japão, onde estudou
o Zen-Budismo sob orientação de Yamada Koun Roshi e Yasutani Roshi. É
professor do Mercy Center em Burlingame, Califórnia, espaço onde os
praticantes são orientados na prática inter-confessional cristã-budista.
http://mercy-center.org/
http://mercy-center.org/

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