No Zen Budismo, entre as escolas, existe basicamente duas explicações sobre iluminação: a escola da iluminação súbita e da iluminação gradual. Em geral, a Soto Zen favorece a gradual, a Rinzai a súbita. A Escola Sambo Kyodan, que tem raízes nas práticas Soto e Rinzai, parece favorecer a súbita, mas também reconhece a gradual. A iluminação súbita é geralmente precedida por um acúmulo de tensão que ocorre dentro de um sistema que leva claramente o praticante a uma nova condição de consciência. A mente do praticante é apreendida pela busca intensa do koan sugerido pelo mestre. Enfim, há uma forte descoberta seguida de um período prolongado de clareza psicológica e modificações nos padrões comportamentais. Jinul, um mestre Zen coreano do século XII, diz a respeito de um praticante que experimentou o despertar súbito e o processo de cultivo gradual: "Ele procura Buda fora da sua mente. Está vagando sem rumo, a entrada da estrada pode ser apontada por acaso por um sábio mentor. Se num pensamento, ele direciona a luz da sua mente em direção da sua fonte, ele verá sua própria natureza original, vai descobrir que o terreno de sua natureza está inato, livre de impurezas e que ele mesmo é originalmente dotado da natureza de sabedoria, que não é diferente da largura de um fio de cabelo de um Buda, e por isso é chamado de despertar repentino. Vamos considerar o processo gradual. Embora tenhamos despertado para o fato de que nossa natureza original não é diferente daquela dos Budas, as energias estáticas são extremamente difíceis de remover rapidamente e assim devemos manter a prática, enquanto confiamos no despertar. Através desse processo gradual, nossos esforços chegam à um resultado. Constantemente o embrião é nutrido, e depois de um longo período nos tornarmos seres realizados. Por isso, é chamado de "processo gradual" (Escrituras Budistas, editado por Donald Lopez.) No caminho gradual para a iluminação não há tantos fogos de artifício e o caminho não é tão distante assim também. Existe tão-somente um desenvolvimento firme, que aumenta de modo sutil os insights e as conexões. Falo muitas vezes do caminho gradual como aquele do lugar comum kenshô (experiência de iluminação). Ao longo prazo ocorre transformações sutis em nossas vidas. Às vezes, dificilmente percebemos, mas são crescimentos reais. Acontece grandes progressos contínuos dentro de nós em níveis não-conscientes. Eu costumo pedir aos alunos para não se enganarem. Todos são iluminados em determinado grau, e que o fenômeno “kenshô” é realmente muito comum. O importante é se manter fiel à prática. O Zen é inteiramente eficaz em diminuir as funções do intelecto grosseiro. Juízos e conceitos são suprimidos, porque eles não estão "abertos" e estão sempre pelo menos um passo distante da experiência direta. Eles categorizam, colocam as coisas em caixas, enquanto que o que estamos procurando não tem fronteiras e não pode ser encaixotado. Embora os professores Zen, espontaneamente, usam a mente comum e a linguagem simples na experiência de comunicação e na instrução prática, no entanto, eles são inteiramente sinceros quando descrevem as quatro frases que se ouve dizer sobre o que é o Zen: transmissão fora das escrituras (kyo-ge-betsu-den) não dependente de palavras (fu-ryu-mon-ji) plena atenção à natureza buda (jiki-shi-nin-shin) (ken-shô-jo-butsu)
tradução livre do trecho do livro Handokai – O caminho Zen-Cristão (seleção de escritos e palestras de Thomas G. Hand)
Pe. Thomas Hand, foi um teólogo jesuíta que viveu por quase 30 anos no Japão, onde estudou o Zen-Budismo sob orientação de Yamada Koun Roshi e Yasutani Roshi. É professor do Mercy Center em Burlingame, Califórnia, espaço onde os praticantes são orientados na prática inter-confessional cristã-budista.

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