quinta-feira, 21 de novembro de 2019

JOHN MAIN OSB - UNIDOS À LUZ





Uma das palavras que é usada para descrever o propósito da meditação é a iluminação: meditamos para nos tornamos iluminados. São João da Cruz como sendo para banir a escuridão fala do poder da luz de Cristo para expulsar a escuridão. Fala do poder da sua luz pessoal que, sendo tão grande, não pode ser vencida pela escuridão, esta não a pode apagar. No entanto, estamos todos conscientes de que ainda há muita escuridão no nosso mundo. Ouvimos todos os dias falar de terríveis injustiças, de violência, de ódio, de contendas, de ganância cega e louca destruição. Vemos tudo isto a um nível, quer pessoal, quer político, entre os nossos vizinhos, em casa ou no estrangeiro. Contudo, não há muito de nos que estejam conscientes da escuridão residual que existe dentro de nós. Temos de reconhecer que também nós temos um lado escuro. Temos uma capacidade, que negamos, de viver num nível que sabemos ser indigno do nosso destino humano, sendo pessoas que são imagens de Deus. Quando começamos a meditar, depressa compreendemos que não podemos entrar na experiência da meditação com apenas uma parte do nosso ser. Tudo aquilo que somos a totalidade do nosso ser. Tudo aquilo que somos a totalidade do nosso ser, tem de estar envolvida nesta entrada na própria integridade que realiza a nossa inteireza e harmonia pessoais. Outro modo de expressar isto é dizer que toda a parte ainda escura do nosso ser deve ser aberta à luz. Cada parte escondida de nós deve ser trazida à luz. Não meditamos apenas para desenvolver o nosso lado religioso ou a nossa capacidade moral. A meditação é o caminho para uma integração harmoniosa do nosso ser total com a totalidade da realidade. Um homem ou mulher verdadeiramente espiritual está em harmonia com toda a capacidade que possui. É por isso que a pessoa, o que conduz ao maior amor possível e, assim, à maior alegria possível. A razão é esta: a meditação não é um processo pelo qual tentemos ver a luz. Nesta vida, não podemos ver a Luz completamente e continuar a viver. A nossa preocupação deveria ser que a Luz nos visse, nos procurasse e nos conhecesse, para ficarmos iluminados. A meditação é um processo pelo qual entramos na Luz. Como conseqüência natural deste processo pelo pode da luz, começamos a ver tudo, a tapeçaria inteira, da realidade da vida. Nesta altura, temos de atualizar a nossa linguagem. O que é esta luz? O que significa esse grande símbolo espiritual? O que é isso que nos ilumina e muda a maneira como percebemos a nossa realidade diária? Jesus diz-nos que o poder chamado luz é amor. E assim, para o meditador cristão, o teste do progresso na meditação é, simplesmente, quão longe se vai ao movimento em direção ao estado iluminado de ver a todos e a todas as coisas à luz de Deus. Ver a luz do seu amor universal faz com que também amemos a todos: sem julgar, nem rejeitar, mas vendo todas as pessoas – e mais, a totalidade da Criação – através desta luz, descobrimos a fonte do amor no nosso próprio coração. Temos de saber que somos amados: este é o conhecimento da iluminação cristã. O caminho da meditação é a própria simplicidade. Basta-nos dispor de tempo, todas as manhãs e todas as tardes da nossa vida. Durante esse tempo, temos de estar abertos à luz, a Deus, ao amor. Isto significará uma conversão radical da consciência egoísta obscura. Ao não pensar os nossos próprios pensamentos, nem arquitetar os nossos planos, estamos num silencio cada vez mais profundo, numa reverencia cada vez mais profunda do ser, e isso é ficar enraizado em Deus. Até o nosso corpo é envolvido no processo. Quando meditamos, sozinhos ou em conjunto, temos de fazer um esforço sério para os sentarmos imóveis, literalmente imóveis, durante todo o período. Este é um sinal físico de conversão interior: é um certo abandono do corpo. Então, fechando os olhos, comece, suavemente, a recitar a sua palavra, o seu mantra. Recite-o pacifica e calmamente e deixe que a palavra mergulhe profundamente no seu ser, enquanto vai construindo uma ressonância dentro de si. Todas as partes do seu ser entram em ressonância com Deus. O mantra concretiza esta realidade. Ao entrarmos nessa ressonância, entramos na luz do seu amor. O mais espantoso da revelação cristã, que é a mensagem comunicada por Jesus, é que cada u de nós, em cada automóvel, em cada prédio de escritórios, em cada sala de aulas, em cada casa, é chamado, não apenas a ver a luz, mas a um chamamento mais alto, que é ver a própria Luz. Nesse momento, tornamo-nos um, indivisivelmente, com a Luz. É nesse momento que, tal como diz São Pedro, partilhamos a verdadeira essência de Deus. É esse o nosso verdadeiro destino. Temos de começar a viver esse destino agora, preparando-nos para a sua plenitude. A sua maravilha e mistério transforma aquilo que somos agora. É o propósito da nossa meditação diária é aprender a viver agora, nesta vida, em todos os momentos da nossa existência, em harmonia com o nosso destino mais alto, o nosso destino eterno. A meditação diária é a nossa preparação temporal para um destino que nos convoca, a cada um de nós,para uma expansão para a oura alegria do ser. Claro que temos de ter sempre cuidado para não nos intoxicamos verbalmente, limitando-nos a falar sobre o nosso destino. Temos de dar passos práticos para realizá-lo. Há um limite restrito nos benefícios que se ganham em ler livros ou em ouvir palestras sobre a meditação. O chamamento é para entrar na experiência agora, hoje. Cada um de nós tem de aprender à simplicidade, a humildade, a pobreza de espírito para ficar feliz a dizer a sua palavra, do principio ao fim da meditação. Isto significará que entregaremos todos os pensamentos, incluindo os mais recorrentes e sutis. Isto me está a fazer algum bem? Estou tendo alguns resultados com isto? Todo o egocentrismo tem de desaparecer, para depois nos podermos lançar no verdadeiro centro das profundezas de Deus. Quando começar, tem de aceitar isso com fé. Mas, se disser o seu mantra nesse espírito humilde e se o disser todas as manhãs e todas as tardes, do principio ao fim, começará a entender, agora, no tempo, o que significa a vida eterna. Começara a entender a pura alegria do ser. Começará a entender o espantoso ser ilimitado de Deus. Na infinitude de Deus encontramos e, com alegria, luz.

“Porque o Deus disse: das trevas brilhe a luz, foi quem brilhou nos nossos corações, para irradiar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo (2Cor4,6)".

do livro: “O coração da Criação”


Dom John Main OSB, nasceu em Londres em 21 de Janeiro de 1926 e faleceu em Montreal em 30 de Dezembro de 1982. Fundador primaz da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã, também, em Montreal, no Canadá, fundou um pequeno Mosteiro Beneditino dedicado à prática e ao ensino da Meditação Cristã.



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