terça-feira, 23 de maio de 2017

6. GRAVURA - AS DEZ GRAVURAS DE DOMAR O TOURO DE KAKUAN PARA CRISTÃOS

O confronto terminou.
Ganhar ou perder já não importam.
Cantarolando músicas campestres dos lenhadores e entoando canções simples de crianças do campo, monta as costas do touro, seus olhos fixos em coisas não da terra, mas do céu.
Mesmo que seja chamado, não virará a cabeça. 
Por mais que seja atraído não voltará mais.

trad. Monja Coen

6. gravura do Jugyuzu - "As dez gravuras de domar o touro" de mestre Kakuan Shion Zenji. As dez gravuras representam os degraus que levam ao despertar da consciência.



Na sexta gravura, quando o pastor volta para casa tocando sua flauta alegremente, o cristão que reza a Deus sem distrações encontra seu "lar espiritual" (o reino de Deus) e a paz plena.

“E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. E achando-a, convoca os amigos e vizinhos, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida.”

Lucas 15:6-9

“Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa.”

João 15:11

Através da experiência contemplativa diligente, o cristão alcança o plano de autodomínio e perfeição.  A prática da perfeição por meio do autocontrole espontâneo, pode ser comparada a “montar no touro sem dificuldade”. Este avanço vem depois de batalhas ardentes em querer apreciar a Deus de modo profundo, em estar consciente da sua Natureza-Buda em cada ação e pensamento. Por meio da sabedoria, a ignorância do praticante é treinada e diluída. Neste "montar o touro", os cristãos devem compreender como o Zen explica o autoconhecimento. Do ponto de vista do Zen, o autoconhecimento é a abertura dos portões do coraçãomente para o reconhecimento dos próprios dons, das disposições e da percepção da sua própria capacidade ilimitada, bem como também das suas fraquezas. O autodomínio significa viver uma vida no presente momento, unida ao “vazio” de um falso “eu”. Além disso, através da experiência da unicidade durante a prática contemplativa, os cristãos têm a oportunidade de compreender que a jornada individual é seguida por dons espirituais, como liberdade e alegria. No entanto, o amor e a alegria não são experimentados como um "lugar espiritual" original, até que se alcance a consciência de Deus. Através da transcendência sob a graça do Espírito Santo, a prática contínua na presença de Deus ajuda o praticante a descobrir o caminho de estar cada vez mais próximo da morada de Deus.



do artigo: "Aprendizagem de uma vida cristã contemplativa através das "Dez gravuras do touro e o pastor."

Jaechan Anselmo, entrou para a abadia beneditina em Waegwan na Coréia do Sul em 1991. Depois de sua ordenação sacerdotal em 2001, foi diretor de vocações e dirigiu o programa de experiência monástica para a juventude. Atualmente pesquisa a obra de Thomas Merton e o diálogo monástico inter-religioso. Em 2006, publicou o livro, “Ação e Contemplação ” como entendido no Salmo 131.



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