Pergunta
Qual é a diferença entre a Paixão de Cristo e a Compaixão
de Buda?
Resposta
Cristo se opôs ao governo de seu tempo. Um verdadeiro
religioso deve se opor a uma má política. Ele se sacrifica pelos outros. Se
Cristo não tivesse sido crucificado, o cristianismo não teria se desenvolvido. É
por isso que a Cruz é importante. Depois, os apóstolos espalharam e organizaram
seus ensinamentos cultivando um espírito de compaixão em relação à sua cruel
morte. A morte de Cristo deu força a sua missão. Para Cristo e Buda, o amor
universal é a coisa mais importante. Compaixão significa amor e compreensão mente
a mente: se alguém está sofrendo devemos ter o sentimento de "afinidade"
com esta pessoa. A maioria das pessoas são invejosas, porém, isso é o oposto da
compaixão. Se alguém estiver feliz ou bem-sucedido, devemos estar felizes; Se
ele está triste, também ficamos. No fundo, paixão e compaixão não são
diferentes. Buda ficou velho, e sentia compaixão; Cristo era jovem e vivia cheio de paixão. Cristo tinha menos experiência de vida; Essa é a única
diferença. Quando você lê a Bíblia, tudo é muito moral. Quando os jovens leem
os sutras encontram muitas contradições neles porque projetam muitas coisas.
Cristo é beleza, pureza, emoção; o lado moralizante do cristianismo é muito
forte, muito forte. No Budismo é também, mas no final todas as ilusões se transformam em Satori. Buda teve muitas experiências, a vida no palácio, muitas
mulheres, depois, seis anos de mortificação. Ao final, quase que morreu. Sob
a árvore Bodhi, foi tentado e assediado por todos os tipos de demônios
internos. Quando não sobrou nada além da sua pele e ossos, Sujata cuidou dele e
lhe deu leite todos os dias; graças a esta mulher, pouco a pouco, Buda recuperou
seu amor real pela vida, seu corpo voltou à sua condição normal e sua mente
também: Satori. O equilíbrio é importante. Muito prazer e muita negação, ambos são
ruins. Depois de experimentar a vida e a verdadeira liberdade, ele
fundou o Budismo, e o Budismo não concordou com as religiões tradicionais, que
eram demasiado ascéticas ou moralistas. O “Jukai”, os preceitos, veio mais
tarde; e quando o Budismo Hinayana se tornou Mahayana, formalmente, criou-se uma nova sabedoria, que
também se tornou profundamente entranhado numa tradição. As religiões devem
estar sempre pulsantes, elas não devem criar divisões que tornam a mente estreita e complicada. Religião não é ciência, não precisa de divisões.
cap. - Zen e Cristianismo
do livro: "Perguntas e Respostas a um Mestre Zen: Taisen Deshimaru"


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