sábado, 20 de maio de 2017

TAISEN DESHIMARU - 8. PERGUNTA



Pergunta

Qual é a diferença entre a Paixão de Cristo e a Compaixão de Buda?

Resposta

Cristo se opôs ao governo de seu tempo. Um verdadeiro religioso deve se opor a uma má política. Ele se sacrifica pelos outros. Se Cristo não tivesse sido crucificado, o cristianismo não teria se desenvolvido. É por isso que a Cruz é importante. Depois, os apóstolos espalharam e organizaram seus ensinamentos cultivando um espírito de compaixão em relação à sua cruel morte. A morte de Cristo deu força a sua missão. Para Cristo e Buda, o amor universal é a coisa mais importante. Compaixão significa amor e compreensão mente a mente: se alguém está sofrendo devemos ter o sentimento de "afinidade" com esta pessoa. A maioria das pessoas são invejosas, porém, isso é o oposto da compaixão. Se alguém estiver feliz ou bem-sucedido, devemos estar felizes; Se ele está triste, também ficamos. No fundo, paixão e compaixão não são diferentes. Buda ficou velho, e sentia compaixão; Cristo era jovem e vivia cheio de paixão. Cristo tinha menos experiência de vida; Essa é a única diferença. Quando você lê a Bíblia, tudo é muito moral. Quando os jovens leem os sutras encontram muitas contradições neles porque projetam muitas coisas. Cristo é beleza, pureza, emoção; o lado moralizante do cristianismo é muito forte, muito forte. No Budismo é também, mas no final todas as ilusões se transformam em Satori. Buda teve muitas experiências, a vida no palácio, muitas mulheres, depois, seis anos de mortificação. Ao final, quase que morreu. Sob a árvore Bodhi, foi tentado e assediado por todos os tipos de demônios internos. Quando não sobrou nada além da sua pele e ossos, Sujata cuidou dele e lhe deu leite todos os dias; graças a esta mulher, pouco a pouco, Buda recuperou seu amor real pela vida, seu corpo voltou à sua condição normal e sua mente também: Satori. O equilíbrio é importante. Muito prazer e muita negação, ambos são ruins. Depois de experimentar a vida e a verdadeira liberdade, ele fundou o Budismo, e o Budismo não concordou com as religiões tradicionais, que eram demasiado ascéticas ou moralistas. O “Jukai”, os preceitos, veio mais tarde; e quando o Budismo Hinayana se tornou Mahayana, formalmente, criou-se uma nova sabedoria, que também se tornou profundamente entranhado numa tradição. As religiões devem estar sempre pulsantes, elas não devem criar divisões que tornam a mente estreita e complicada. Religião não é ciência, não precisa de divisões.



cap. - Zen e Cristianismo
do livro: "Perguntas e Respostas a um Mestre Zen: Taisen Deshimaru"

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.