As primeiras linhas dos "Dez Mandamentos" traduzidos pro Tibetano através do Latim, apresentado no Alphabetum Tibetanum de Giorgi . Dicionário que teve como base os estudos de pe. Orazio. As palavras usadas para "Deus" são "rang grub dkon mchog", e a palavra para 'mandamento' ou 'preceito' é bka.
Padre Orazio nasceu em Pennabilli em 1680, caçula de três
irmãos, nasceu numa família nobre de Olivieri. Aos 20 anos, terminou seus estudos
clássicos, e entrou no mosteiro dos Capuchinhos em Pietrarubbia. Durante seu
período de noviciado, a Sagrada Congregação de Propaganda Fide decretou a
criação de uma missão no Tibet: "em direção à foz do Ganges rumo ao
reino do Tibete". Já em Lhasa, o regente, sensível e interessado, convidou os
padres católicos Orazio e o jesuíta Ippolito Desideri, para aprender a língua tibetana. Para efeito, resolveram residir no
mosteiro-universidade de Sera. Lá puderam aprender a língua
livremente e dialogar com outros monges. Tiveram acesso gratuito à importante
biblioteca do mosteiro. A Missa era celebrada no mosteiro e o resto do dia era
ocupado com estudos e traduções. Os dois padres católicos viveram em contato muito
próximo com os monges budistas, dividindo a mesma comida e a vida
monástica. Um raro exemplo de comunhão. Orazio permaneceu no mosteiro de Sera por
cerca de 9 meses, de abril 1717 até janeiro 1718. No entanto, por mais um período de 4 anos ele continuou estudando a língua e a literatura tibetana, sob a orientação de um lama capacitado. Ainda no mosteiro de Sera, Orazio começou a compilar um dicionário ítalo-tibetano,
feito diretamente dos textos sagrados tibetanos.
Em 1732, o dicionário foi finalizado com cerca de 33.000
palavras. Todos os tibetanos tinham enorme respeito por eles; todos os registros
falam que eram dois missionários aplicados: "Não fizeram qualquer tipo de
má ação, mesmo numa raiz de cabelo de outra pessoa." "Vieram de longe com a
mentalidade de não se inclinar ao excesso de comida, ganho, fama, ou prazeres e foram útil para muitos seres". Por cerca de 10 anos, os dois padres eram os únicos estrangeiros em Lhasa, entraram numa crise financeira pois não receberam concessões especiais do governo aos “estrangeiros”; não tiveram permissão para comprar terras para assim poderem construir um mosteiro cristão ou uma Igreja. Porém, este é um período prolífico para o trabalho literário de
Pe. Orazio. Traduziu para o italiano o “Lamrim chenmo
(As três formas principais que levam à perfeição) de Tsong-khapa, "A Vida de
Buda", e o "Livro Tibetano dos Mortos", e outras obras importantes. A guerra civil entre
1727-1728 afetou seriamente as missões. O selo Vajaradhara do Dalai Lama foi dado a eles, também foi
concedido o 'privilégio de liberdade religiosa'. Mas Pe. Orazio escreveu e imprimiu cartas e folhetos refutando a religião budista, traduziu e divulgou a "Doutrina Cristã", e outras obras religiosas cristãs para o idioma tibetano.
A nova comunidade
cristã teve muitos obstáculos não previstos pelos missionários: a
ligação indissolúvel entre a vida civil e religiosa que existe no Tibet atrapalhou seus objetivos. E
quando os novos convertidos ao cristianismo se recusaram a aceitar a bênção do Dalai
Lama e de participar das sadhanas, a questão assumiu uma infração de aspecto político e passível de uma intervenção
penal. Depois de um longo processo em 22 de maio de 1742 cinco homens e
mulheres recém convertidos são mortos em praça pública. Pe. Orazio partiu para o Nepal em 1745, e morreu em Patan em 20 de julho de 1745.
Epitáfio Latim-Tibetano de pe. Orazio




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