Pergunta
Um monge Zen uma vez me disse:
"No Zen, quando você alcança o Satori, pode-se dizer: 'Virei Deus!'
"Isso pode ser interpretado como o que São Paulo disse:" Não sou eu quem
vive, mas Cristo que vive em mim"?
Resposta
Zazen é a mesma coisa que Deus
ou Buda. Dogen, o mestre da transmissão, disse: "Zazen em si mesmo é
Deus". Por isso ele quis dizer que durante o Zazen você está em harmonia
com o cosmos. Na consciência “hishiryo*” não há mais nada. É a consciência de
Satori. O “eu” caiu e se dissolveu. É a consciência de Deus. É Deus. Nós não estamos separados. Não há dualidade entre Deus,
Buda e nós mesmos. Se eu disser: "Eu sou Deus ou Buda, é, ser um pouco
louco é importante”. Pensar racionalmente sobre Deus ou Buda não é bom. Se eu
disser que você é Deus ou Buda enquanto você pratica Zazen não é de todo a
mesma coisa como se diz de si mesmo. No Zen, você não deve ter objetivo. Na
consciência “hishiryo” o eu universal, por mais iluminado que seja, ainda está
aqui. Meister Eckhart disse: "Se você se esvazia, Deus entra em você”. No
Zen, o ego entra em Deus e Deus entra no ego. Ambos.
*Hishiryo é pensar sem pensar, não pensar, mas pensar. É o além do pensamento, o pensamento absoluto. Não pensamos, mas o inconsciente se eleva, e pensamos inconscientemente, a partir do tálamo, do cérebro central. O verdadeiro pensamento aparece, o pensamento sem pensamento, para lá de todo pensamento. Querer cortar os desejos, as ilusões é impossível, a nossa vontade, por si só, é impotente. Por intermédio do zazen, todavia, os desejos, pouco a pouco, deixam de perturbar-nos, diminuem por si mesmos, inconscientemente, naturalmente. Não se deve tentar nem cortá-los, nem segui-los. Nem cortar, nem seguir: isso é Hishiryo.
cap. - Zen e Cristianismo
do livro: "Perguntas e Respostas a um Mestre Zen: Taisen Deshimaru"

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